sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Perguntaram o que acont... - Pablo Neruda

Perguntam o que acontecerá com a poesia no ano 2000. É uma pergunta difícil. Se esta pergunta me assaltasse num beco escuro eu levaria um susto de - Pai e Senhor meu! Porque o que sei eu do ano 2000? Do que estou seguro é de que não se celebrará o funeral da poesia no próximo século.
Em cada época deram por morta a poesia, mas ela se vem demonstrando vitalícia, ressuscita com grande intensidade, parece ser eterna.

A poesia acompanhou os agonizantes e estancou as dores, conduziu às vitórias, acompanhou os solitários, foi ardente como o fogo, ligeira e fresca como a neve, teve mãos, dedos e punhos, teve brotos como a primavera: Fincou raízes no coração do homem.  

(Pablo Neruda)      

sábado, 13 de agosto de 2016

Um pouquinho do muito de meu pai - Mário Celso Rodrigues

Azaleias e “Bougainvilles”, suas flores preferidas. Nada tinha com a poesia, com as letras não tinha intimidade, não escrevia as linhas, vivia as estrofes e declamava os encantos da vida, nunca o vi triste, ser gentil era um dos defeitos; as crianças lhe amavam, os adultos, bem, os adultos ele aturava...

Se me lembro, poucas foram as varadas – goiabeira das goiabas brancas – bem na diagonal da porta da sala... Sua sabedoria em muito suplantava as leis da psicologia moderna, valorizo as poucas vezes em que senti as lambadas...  Cresci, me tornei homem e, bem no início da fase “do tudo saber”, dei-lhe pesada resposta, estava regressando do quartel, da farda verde-oliva pediu-me que a despisse... Foram as últimas varadas... As lágrimas desceram de seus olhos, que se uniram as que desciam  dos meus, não resisti aos seus braços abertos e num convulsivo abraço unimos nossos sentimentos.

Grande amigo e mestre, na firmeza de suas convicções extingui meus medos. Aprendi a amar e respeitar aquela com quem minha família iria formar... Logo, Deus lhe presenteou com netas, tanto amor e carinho, desprendimento e entrega... E, nós – dois – os filhos aprendendo a ser pai.

Bem cedo ele se foi, ficou a saudade... Não mais ouviremos as melodias que em seu tom baixo cantava após a leitura bíblica antes do sono fecharem nossos olhos de garoto travesso – nossa mãe fazia as leituras após o jantar. Com as letras ele não tinha intimidade, amava as flores e muito bem delas cuidava... Não mais o veremos distribuindo mudas entre os vizinhos mais achegados... Ele se foi, ficou a saudade e o legado. Legado de um coração generoso que se compadecia da dor de qualquer um outro... Vivia as histórias que hoje contamos...

domingo, 7 de agosto de 2016

Oração da maçaneta - Gióia Jr.

Não há mais bela música
que o ruído da maçaneta da porta
quando meu filho volta para casa.

Volta da rua, da vasta noite,
da madrugada de estranhas vozes,
e o ruído da maçaneta
e o gemer do trinco,
o bater da porta que novamente se fecha,
o tilintar inconfundível do molho de chaves
são um doce acalanto,
uma suave cantiga de ninar.

Só assim fecho os olhos,
posso afinal dormir e descansar.

Oh! a longa espera,
a negra ausência,
as histórias de acidentes e assaltos
que só a noite como ninguém sabe contar!

Oh! os presságios e os pesadelos,
o eco dos passos nas calçadas,
a voz dos bêbados na rua
e o longo apito do guarda
medindo a madrugada,
e os cães uivando na distância
e o grito lancinante da ambulância!

E o coração descompassado a pressentir
e a martelar
na arritmia do relógio do meu quarto
esquadrinhando a noite e seus mistérios.

Nisso, na sala que se cala, estala
a gargalhada jovem
da maçaneta que canta
a festiva cantiga do retorno.
E sua voz engole a noite imensa
com todos os ruídos secundários.
- Oh! os címbalos do trinco
e os clarins da porta que se escancara
e os guizos das muitas chaves que se abraçam
e o festival dos passos que ganham a escada!
Nem as vozes da orquestra
e o tilintar de copos
e a mansa canção da chuva no telhado
podem sequer se comparar
ao som da maçaneta que sorri
quando meu filho volta.

Que ele retorne sempre são e salvo,
marinheiro depois da tempestade
a sorrir e a cantar.
E que na porta a maçaneta cante
a festiva canção do seu retorno
que soa para mim
como suave cantiga de ninar.

Só assim, só assim meu coração se aquieta,
posso afinal dormir e descansar.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Saudades - Texto de Mário Celso Rodrigues

     A tarde é fria, a noite caindo anuncia que mais gélida há de ser... Me vem o calor de sua voz... Seus gestos trêmulos, suas mãos enrugadas acariciando minha face ainda jovem... Seus olhos já opacos dizem-me o quanto brilharam um dia – no momento em que dedilho minhas lembranças, me ocorre um sorriso tímido  –  três foram os momentos... Ela me confessou um dia – o primeiro momento foi quando conheci seu pai, o segundo foi quando você nasceu, muitos foram os outros, mas, o terceiro ficou marcado em mim, o nascimento de seu irmão – no nascimento das netas, seus olhos também brilharam.
     Não mais verei,  seus olhos não mais me chamarão a atenção por algum deslize que eu tenha cometido, nas tardes frias não mais o calor de sua voz me oferecendo uma bebida quente. 
– Meu filho acabei de passar um café pra você, fiz também um bolo, eu sabia que você viria...
     Nossas conversas, seus conselhos não mais terei... Não me ouve... Não me vê... As delícias do paraíso onde hoje ela está são bem além do que posso imaginar. Nestas minhas lembranças de um final de tarde... fria tarde, de meus olhos correm gotas de saudades, doces saudades...  limpas e livres saudades, sem as manchas do remorso e nunca presa a algum sombrio passado.
     Saudades esperançosas do reencontro... Inda infante, com o “Manual da Vida”, que chamamos também de Escrituras Sagradas,  outros a definem como Bíblia Sagrada e,  ela de uma forma reverente intitulava de – A  Palavra de Deus, em suas mãos ainda firmes, nos ensinava a amar a Deus e o quanto Jesus Cristo sofreu para nos assegurar a vida eterna... Não mais sou infante, mas, tenho a certeza de que seus ensinos me tem valido, no dia a dia tenho comprovado tudo o que por ela me foi ensinado... “Um dia nos encontraremos na eternidade e juntos entoaremos louvores a Quem nos criou e por amor à terra desceu”. 
     Suas palavras firmes com voz firme... Já não tão firme... Já trêmula em seus últimos dias... A certeza do que dizia brilhava em seus olhos opacos... Para o mundo seus olhos agora fechados. Mas, radiava em sua fisionomia o quão feliz era estar junto do Pai, nas ruas de ouro com os arcanjos celestiais... Dela me despedi, na terra, não mais a verei –minhas tardes serão frias, minhas  noites gélidas... Até um dia no porvir.

sábado, 16 de julho de 2016

FACES NO FACE - Silvino Netto



(Silvino Netto, fascinado, face a face no FACE)

Resisti aderir ao FACE!
Não queria perder minha privacidade,
Nem entrar na de alguns,
Que, a meu ver, se expõem demais.
Tinha dificuldade em lidar
No processo de seleção de adicionar pessoas.
Imaginem o volume de convites
Que recebe um professor,
Com mais de 40 anos de magistério!
Salvo engano, são mais de 3000 ex-alunos!!!

Finalmente, não resisti a pressão:
“Você não está no Face?
“Você não sabe o que aconteceu com fulano!
“Face é um barato! A gente fica por dentro
De tudo que está acontecendo!”
... .... ....
Comecei a sentir-me fora do mundo,
Isolado da rede social.
Meu telefone já não tocava mais!
E, rendi-me!
Aderi ao FACEBOOK!

Que experiência interessante!
Apesar das perdas de visão, impressões digitais,
Dores ciáticas, etc...
Bom rever familiares, amigos, ex-alunos,
Ressuscitar os “mortos”,
Receber e enviar mensagens,
Fotos, vídeos, flayers,
Curtir, Comentar, Compartilhar,
Publicar, etc, etc, etc...
Mas, uma das coisas mais curiosas,
Desafiadoras e assustadoras,
Que vivencio no FACE,
É associar nomes
Às faces no FACE!

Meus ex-alunos, como vocês estão diferentes!
Alguns irreconhecíveis!
Guardei vocês na memória,
Aos seus 18, 22, 25 anos de idade!
Que trabalho, agora, alguns me dão
Para identificar: Este é fulano mesmo?
Mas, como envelheceu! Rsrsrsrs
Como engordou! Ficou careca!
Não, não pode ser!
Será que é ele mesmo!
Pô! Já tem netos!
Mas, que família bonita nesta foto!
Produzida!
Aquele ali é a cara do pai
Quando jovem!
Que saudades!
E as ex-alunas das décadas 80/90?
Algumas, agora, mais cheinhas...
E os cabelos? Cortes variados,
Alisados, encaracolados, curtos, longos,
Mas, raramente embranquiçados!
Quantas morenas, viraram loiras
Quantas loiras, acajuadas...


E, então eu me dou conta,
Que, certamente,
Vocês estão dizendo, também,
A mesma coisa, de minha face no FACE!
“É o professor Silvino Netto mesmo?”
“Tadinho! Tá velhinho!” rsrsrs

Não tem jeito!
Por mais que os aplicativos
Nos permitam maquiar a foto
Da face, no perfil, do FACE,
Não dá para esconder,
As belas rugas,
Os cabelos prateados,
As gordurinhas a mais,
Registros de nossa trajetória temporal
Enriquecidas de experiências exitosas...
Que nos levam , hoje, a
Curtir, Comentar, Compartilhar,
E a alegria de recuperar a memória
No encontro virtual,
Face a Face, no FACE!
FASCINANTE!!!

domingo, 3 de julho de 2016

Careta. Texto de Mário Celso Rodrigues

SOU CARETA... Não viajando nas fumaças da ilusão em direção à desgraça, sou careta porque tenho cuidado do meu intelecto... minha saúde mental, sou careta porque prefiro amar os meus não lhes causando o constrangimento do afastamento...

Se, porque do baseado me afasto, tenho nojo e revolto-me com os “intelectuais” fabricados pelas drogas, é caretice, me orgulho em ser assim considerado e, como tal, abomino a hipocrisia destes que um dia execram os traficantes e em outro, usando de um programa televisivo em rede nacional, faz apologia ao uso da maconha...

Maconha, desgraça que com sutileza leva o homem ao abismo... Gostaria de levar esses jornalistas – intelectuais fabricados – a uma das várias cracolândias  esparramadas pelas grandes cidades e, que entrevistassem, fizessem uma enquete com os “molambos” humanos   que perambulam sem destino, num vai e vem sem rumo em busca de migalhas para o sustento do vício – compra de “só mais uma pedrinha” – nesta  enquete iriam descobrir que 80% dos tais começaram pela maconha. Lá encontram-se engenheiros, médicos... professores, com suas vidas desgraçadas, longe da família e do convívio social...


Sou careta e revolto-me em ver idiotas travestidos de “jornalistas”, apoiando e valorizando a mediocridade de um pobre povo que vive na ignorância viajando pela “fumaça” de encontro ao nada...   

sábado, 2 de julho de 2016

Meu protesto - Mário Celso Rodrigues


     Da maconha à cocaína é um pulo. Não importa se no Rio ou na Jamaica. Há "intelectuais idiotas e covardes" que podem pagar um tratamento, e, há os pobres coitados que se iludem com os tais "intelectuais idiotas e covardes" que fazem apologia a essa desgraça satânica... Conheço, oro, acompanho e choro por quem está com a vida desgraçada por este vício miserável. Nunca param com a maconha, querem experimentar algo mais forte e, então passam a usar a cocaína, um dia, não tendo mais o que vender ou roubar da família para pagar as poucas gramas que custam uma fortuna passam para o crack.
     Então vem uma "intelectual" idiota e covarde em um programa de audiência nacional fazer apologia à maconha, se um dia cair na desgraça do vício, com certeza não chegará no poço usando o destrutivo crack, terá dinheiro e com certeza a emissora ajudará a pagar um tratamento em uma clínica de referência. O que não acontece com o pobre coitado assalariado ou estudante que, certamente, cairá numa desgraça sem retorno.
     Este tipo de atitude merece uma condenação pelos supremos tribunais de qualquer nação... Isto é uma "apologia que destrói uma nação".