segunda-feira, 21 de abril de 2014

Em meu lugar - Jilton Morais

















EM MEU LUGAR

Pesada cruz às costas,
esbofeteado, caído, ...
sem mais poder andar...

Chegando com a cruz ao Calvário,
sofrido, cansado, ensanguentado,
para assim morrer em meu lugar...
Pregado ao madeiro por mãos ímpias,
blasfemado, insultado, injuriado...
Ele assume o meu lugar.

Cravos a traspassar seu corpo,
braços estendidos,
mãos feridas, pés feridos,
Ele sofre pra me salvar...

Assim esteve no Calvário
Jesus, meu Senhor!
Perdão pediu pra os algozes,
salvou o malfeitor penitente,
silenciou os insultos,
fez do centurião um crente.

Quanta dor Ele sofreu,
até poder ao Pai falar:
“Consumado Está!”
Era o meio de eu me reconciliar
com Deus;
de o seu perdão obter...
Era a minha salvação,
sendo providenciada.

Quando penso no Calvário,
no Cristo que ali sofreu,
sou-lhe mais e mais agradecido
porque aquele lugar era meu.

 



Do livro: Ilustrações e poemas para diferentes ocasiões
De Jilton Morais

sexta-feira, 21 de março de 2014

Pão sobre as águas - Israel Belo de Azevedo


 "Lançar o meu pão sobre as águas ignotas
 para ser tomado pelo bico das gaivotas?
 Lançar o meu pão sobre as águas revoltas
 onde serão apenas minúsculas migalhas soltas?

 Lançar o meu pão sobre as águas imundas
 de onde baixarão para as trevas profundas?
 Lançar o meu pão sobre as águas imensas
 que o conduzirão para distâncias densas?

Nada sei sobre o destino das águas
 porque não sei como as ondas se formam
 como não sei onde os ventos se reformam
 como não sei o que as nuvens portam
 como não sei porque as trevas assim se comportam.

Sei que vou recolher o meu pão lançado
 mesmo que pelas gaivotas bicado,
 mesmo que pelas pedras esmigalhado,
 mesmo que pelo óleo manchado,
 mesmo que da viagem cansado,
 porque confio na Palavra plena de Deus
 que me manda meu pão sobre as águas lançar,
 eis que Seus projetos são melhores que os meus,
 pelo que Sua sabedoria quero tão somente alcançar".

segunda-feira, 3 de março de 2014

Cristo dos humildes - Gióia JR.

Cristo dos humildes,
        dos necessitados,
                dos desiludidos,
                        dos desamparados, 
                                das empregadinhas
                                e das lavadeiras,
                                        dos meninos órfãos
                                        e das mães solteiras -
O R A   P O R   N Ó S!

Cristo das angústias
        e das muitas penas,
                das viúvas pobres
                        e das Madalenas
Cristo que alimenta
        novas esperanças,
                Cristo que apresenta
                bem-aventuranças -
C H O R A   P O R    N Ó S!

Cristo que padece
        numa cruz maldita,
                Cristo que adormece
                        e que ressuscita,
                        Cristo que carrega
                        nossa dura carga
                                e que bebe o fel
                                numa esponja amarga -
M O R R E   P O R    N Ó S!

Cristo que foi visto
ressurreto e forte,
Bem-amado Cristo
que derrota a morte,
Cristo que proclama
num canto de glória:
"Onde está, ó morte
a tua vitória?" -
VIVE POR NÓS!

Cristo dos milagres
e das orações,
das curas divinas
e ressurreições,
e da Professia
que ressoa ainda,
prometendo o dia
Da segunda Vinda!
VOLTA  PRA NÓS!!!       
  

sábado, 19 de outubro de 2013

Minha Oração (ARGUMENTO DO SALMO 86) - Pr. Samuel de Souza




Ouve, Senhor, a súplica sentida
deste servo que é Teu e que carece
da Tua mão, a forte segurança.
Que Te procura nesta humilde prece:
Sê Tu, Senhor, o meu refúgio eterno,
do meu pecado, ó Deus,
mesmo que houvesse,
algum que se avultasse tanto em fel,
submisso peço, ó Pai, dele te esquece!

Na angústia, clamarei a Ti, Senhor!
Tu, que és, em mim, a rocha sempre firme,dá-me da Tua graça, o doce olor...

Esta oração que brota de minh'alma
é puro incenso posto sobre o altar,
altar do Teu amor, sem linda palma.  

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Aviação - Lásara Freitas (mãe de um Cmte.)


Aviação
         Foto: www.kerovoar.com.br                                                                   
 Gostas da aviação?
Posso dar-lhe de presente,
um aviãozinho...
Não importa o tamanho,
pois não sabes pilotar...

Porém,  podes voar nas asas do “espírito”,
e da presença de Deus desfrutar.
O que não podes é ficar no chão.

Empreenda a íngreme subida, rumo à perfeição.
Certo que Jesus nos chama a subir,
mesmo que seja passo a passo, confiando nÊle só,
descansando em seus braços.

É que uma luz sem par, segue o seu caminho.
A luz que só vem ao andar com Jesus.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Jesus gostou tanto daqui que quis voltar e ficar - Alex Carrari


Alguns místicos, que não deixaram nada escrito,
consideram que Jesus não chegou a penetrar
as mais altas repartições do céu
para ficar eternamente alerta/pontualmente interferente,
como pensamos e queremos, depois de ser elevado do chão.
Talvez tenha subido longe o suficiente e ficado atrás de alguma nuvem
e à hora que a aglomeração que, absorvida fitava sua subida, se dissipou,
ele ligeiramente voltou a ficar por aqui,
sem que os importantes o soubessem.


Há razão em ele ter querido voltar a ficar por aqui,
quando depois de reviver de três dias do sono da morte,
querendo puxar assunto, numa reunião entre amigos apavorados
quis comer qualquer coisa e lhe deram peixe e mel,
e se lembrou, pelo cheiro e pelo gosto, das delícias dos sentidos...
(de existir-se, gente).
Ao voltar na ressurreição devia estar mesmo faminto,
por isso foi à casa dos amigos.
Deve ter mesmo pensado em comer um bom peixe 
como fez em tantas casas quando se oferecia como visita
para comer e beber, dançar e quem sabe em último caso, pregar.

Os mesmos místicos acham que logo que voltou de trás de alguma nuvem,
em surdina, para que ninguém quisesse segui-lo de novo e começar tudo de novo, foi, sem alarde, passando e ficando em muitas casas, onde viviam os curados, os purificados, os libertados e os dignificados, por ele restaurados
quando atuava – antes de morrer – como ungido de Deus.

Com estes refez memórias, repassou lembranças, aceitou água para os pés.
E passava, dizem, horas infindas comendo e bebendo, dançando e contando histórias engraçadas suas sobre o que fazia da vida antes dos trinta, e ouvia arrebatado as histórias dos outros, em muito iguais as suas. 

Numa dessas casas ofereceram pão, peixe e de novo mel.
E seguiu-se a dança, o vinho e o pão.
Ele adorou.
Quando algum desavisado percebeu quem era aquele que dançava feito Deus
e tinha histórias muito de gente, chegou para Jesus e disse:
“Sei quem és, O Santo de Deus”.
Jesus solicitou para que não contasse a ninguém, muito menos aos religiosos,
para não estragarem tudo, pois, até acreditariam que ele ressuscitou, mas daí, sem menos nem mais, voltar a ficar por aqui dançando, comendo e contanto história, seria motivo para um segundo inquérito, só que dessa vez a pena capital seria pior que a morte (pior ao menos para ele, pelo pouco que dele se conta enquanto gente).

A pena: ser aclamado em praça pública como Deus. 
Chegando mais perto o que o reconhecera, impôs uma condição
para não espalhar a notícia do santo reconhecimento;
explicar o que fazia ele na terra depois de ressurreto
tendo o céu por herança.
Ao que Jesus respondeu, mostrando as marcas dos pregos nos pulsos e nos calcanhares e da lança no lado:

“O que faz um corpo no céu com estas marcas de ter existido?

Lugar de corpo marcado é na terra, por que dela nasceu e dela as recebeu,
assim como dela nasceu e nela vive tudo de que mais gosto”.
Então, o que o reconhecera reforçou o convite beijando-lhe as mãos:
“Chegue-se mais e sirva-se, caro irmão,
visto que é um dos nossos por nascer como nascemos,
receber as marcas que temos, viver como vivemos e gostar do que gostamos”. 

Os místicos que acreditam nessa história dizem que nessa ocasião Jesus ensopou o pão no mel e o cinzelou no peixe, com um sorriso no canto da boca e os olhos marejados, abençoou-os e orou:

“nunca fui tão feliz como agora”.

Rastro breve - Alex Carrari

Rastro breve
 
...mesmo assim, teimo em meditar no mundo.
Nas inglórias que me pertencem,
medito sozinho no mundo
contando só com a injúria e a divina sorte
de ter nascido carne e sangue.
Medito na divina sorte de viver
carne, sangue e imaginação.

O rastro breve que deixo neste chão abreviado,
a contagem incerta dessas horas tíbias
nessa tarde fria,
o registro na memória dessa tarde
que se arrasta no asfalto,
são testemunhas mudas
do vão conhecimento que tento juntar.

Cada um tem a medida do profundo sentido
das ruínas de si mesmo.
Cada um tem de conviver com a sensação
de que o gesto mais virtuoso de si mesmo
ainda não foi criado (se é que será)
Cada um tem de cumprir inconsciente
o resguardo dos próprios sonhos
sob pena de ser considerado anátema,
(sonhos são portas de mitos,
jardins de sobressaltos,
fortalezas precárias,
envergadura de fé).

Nessa tarde em que o céu elabora
um longo fim de cobre
em uma alquimia calada.
Nessa tarde em que o céu
gasta mais um de seus mistérios ardentes.
Nessa tarde a vida vem e vai,
se alonga e se estreita,
se aclara e se faz sombra,
e me arrasta até onde se conserva
a solidão pioneira, na lembrança.

Essa tarde já é passada,
e a pressa do tempo é inclemente
em fossilizar seus caprichos voláteis.

Mesmo assim teimo em meditar no mundo
que comporta essa tarde que já é passada.
Aqui está a paz, eu a sustento com os olhos,
dela retiro substância
e teço um oráculo do meu destino,
enquanto seu vento de inverno
queima os contornos do meu rosto.