terça-feira, 5 de abril de 2016

MENINO POBRE - Gióia Jr.

Menino pobre do meu bairro, triste,
existe um verso em teu olhar profundo;
é que em tua pessoa subsiste
a miséria tristíssima do mundo...

Menino pobre do meu bairro, existe,
em teu olhar um sentimento fundo:
choras a dor de haver um mundo triste
dentro do grande e colorido mundo.

Menino pobre do meu bairro, grita,
para que escutem tua voz tremente,
amargurada, enfraquecida e aflita;

pelos irmãos que dantes não gritaram,
clama nas ruas angustiosamente,
exige o pão que os homens te roubaram!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Verde/ Amarelo/Azul e Branco X Vermelho - Mário Celso Rodrigues




Não trocaremos o vermelho do sangue de um povo patriota que ama...
... E trabalha para o engrandecimento da nação, berço acolhedor.
Pela ganancia vermelha de uns poucos visionários do poder.
Os patriotas amam o verde que desfralda no deliciar da brisa.

Jamais haveremos de trocar  o orgulho de um povo ordeiro...
... Que não foge à luta e valoriza o labor, pelo pachola zombador.
Nunca o amarelo será substituído pelo vermelho opressor...
... Os patriotas não permitirão os enganos do usurpador.

Não ao fraude  vermelho,  vergonhosas mentiras e despudor...
Sim ao azul que pelo céu transpõe fronteiras...  E, no além-mar
canta bem alto o hino que simboliza o nosso esplendor...
...  O valor de nosso povo, sua garra e pudor.

Proclamamos e amamos a paz... A alvura das estrelas
Jamais serão trocados pelo vermelho da guerra...
...  Da ambição incontinente dos sem-caráter,
Que pensam ter tomado... roubado para si o amado BRASIL.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

QUANDO O SALDO É DEVEDOR - Silvino Netto


(Silvino Netto em balanço de fim de ano)
 
Abro o livro de minha vida
Para fazer o exame de contas de fim de ano.
Verifico que o termo de abertura
É uma oração de Noite de Vigília
- Pedidos e promessas.

Pedi  tanto e prometi muito mais!
Noto, no entanto,
Que as entradas são maiores do que as saídas.
No caso, o saldo é devedor,
Porque acumulei o que foi dado para dar.

Será que ingenuamente pensei
Que, acumulando bênçãos para mim mesmo,
Estava fazendo saldo médio no Banco de Deus?
Mais um erro de cálculo:
O que ganhei, emprestei aos outros,
Com juros e correção monetária.
Esperava que os outros me devolvessem bem mais
Do que lhes dava.

Sou um péssimo, financista, Senhor!
Todas as vezes que ia ao teu Banco para sacar
(e precisava de um carro forte para transportar as tuas bênçãos)
Lia os cartazes que a tua gerência colocava:
Ajuntai tesouros nos céus...
Eu sempre tive medo de investir!

Poderia necessitar de uma hora para outra, e...
Não gostava da ideia de depositar
E ainda esperar os meses de carência.
Para mim, era dinheiro parado.
Eu queria ver a aplicação crescer ,
Mas, crescer no meu bolso,

Onde estava o depósito do meu coração.
Hoje reconheço que fiz mau negócio.
Não se pode poupar sem dar.
E nós dois saímos perdendo
Porque desvalorizei a moeda do teu Reino!

Estas “sobras” do saldo devedor
Tornam-se em maldição,
Como as moedas de Judas,
Que se jogadas no templo,
Nem assim poderiam sepultar a consciência pesada.

Senhor, não adianta dar pedaladas,
É jogar o débito para o próximo ano ...
O jeito é fechar o balanço,
Jogando o saldo devedor em perdas e danos.
Preciso de teu perdão
E crédito para começar um ano novo.
Quero andar contigo, duas milhas ou mais,
Para conter a inflação
E fazer os cortes de mordomia.
Recebe, Senhor,
A confissão que te faço
Não como um simples remorso,
Mas um pedido de perdão
Num termo de abertura sincero e consciente,
De quem deseja restituir quadruplicadamente
As dívidas do passado,

O saldo devedor

sábado, 26 de dezembro de 2015

SOLIDÃO DO SONHADOR - Silvino Netto

                                                  
               ( Dedicado a mim mesmo, Silvino Netto, nas horas de vôo, na dor da solidão dos sonhos)


Acordei, hoje, de meus sonhos da noite,
E me encontrei  na realidade da dor do dia de sonhador.

O sonhador tem seus momentos de dor,
De “sofridão”, daqueles que se dão.
 O sonhador sente  a dor da solidão!
Aquela sensação de quem se arrisca, sozinho, nas alturas,
Incorporando sonhos de tantos.

Não quero a solidão da noite fria do vôo solitário.
(Uma andorinha só, não faz verão).
Não quero as asas artificiais de  Ícaro,
Para voar só, no vôo perigoso de alcançar o  sol.
Quero aquecer-me no diálogo da solidariedade.
Quero voar em V,
Com meus  pares, em bando, rasgando os céus,
Em passes de danças e coreografias,
Permutando lideranças,
No palco dos céus de azul ou mesmo em turbulências.
Quero compartilhar,  no ninho das nuvens,
Com pombas da paz e águias da liberdade
Revendo rumos e rotas, na experiência de vôo de outros.

O sonhador só,  sente a dor
Da força do vento contrário
E se angustia por não querer perder o seu destino.
O sonhador sente a dor
De  ver,  do alto,  homens, apenas formigas,
Que se  conformam em subir montanhas, sem rumo,
Ou na escavação de túneis,
Para esconder-se na escuridão da terra.
Ciscam, acomodam-se em ocas,  no seu quadrado 2x2,
E realizam-se  na busca de minhocas.
São homens, com dna de vôo,
Mas não criam asas para alcançar as alturas
- A razão de sua existência.

O sonhador sente a dor de ver o horizonte distante,
Como se nunca fosse chegar ao seu destino.
O sonhador sente a dor do medo,
De perder-se no infinito,
De entrar em  looping no buraco negro.

O sonhador sente a dor dos grunhidos dos que ficam na terra,
Zombando dos que voam,
No coro  da mesmice, dos que não acreditam no futuro.

O sonhador sente a dor dos tiranos,
Matadores de sonhos, de utopias,
Caçadores dos que sonham para o além.

O sonhador sente a dor
Do peso das asas e dos pés descalços, sem descanso,
Da falta do chão para um pouco de repouso.

O sonhador sente a dor de estar sempre acordado,
Vigilante no enfrentamento da nuvem negra,
Que impede a visão do painel de vôo.
Sente a dor dos raios cortantes que eletrizam a alma,
Do clarão que lhe ofusca os olhos
E do trovão que estremece seu corpo frágil.
O sonhador sente o frio cortante e constante
Que congela seus sonhos,  por um pouco,
Até que venha o seu verão de sol aquecedor,
Combustível para uma nova estação de vôo.

Mas, ainda que  carregue a dor de seus sonhos,
O sonhador, não desiste de voar.
Voa na força de Fenix, dos que confiam no Senhor,
Para renovar as forças,  viver muito
E, depois, ressuscitar das cinzas,
Nos seus próprios sonhos e de seus outros pares.
Reabastece-se no prazer da luta, ao superar obstáculos;
Ao ver o invisível; ao conquistar novas terras e céus;
Ao poder voar nos ares; sobre mares;
Ver o sol de perto, o céu aberto;
Banhar-se no brilho das estrelas;
Provar, na lua-cheia,  seu sabor de mel;
Ver,  no microscópio do universo,
A biodiversidade da terra em multicores.

O sonhador,  ao transformar seu sonho em realidade,
Sente o prazer de superar a dor
Que carregou em sua longa jornada de vida.
O prazer de ser contestador, conhecedor,
Provedor,  curador, agregador, inquiridor,
Pesquisador, inovador, articulador, mobilizador, conquistador ...

O SONHADOR, REALIZADOR, É UM VENCEDOR!

sábado, 12 de dezembro de 2015

QUANDO EU MORRER - Silvino Netto


                                 
         (Aos meus amigos que morrerem depois de mim)
                                                      Silvino Netto – 01.05.08
Quando eu morrer,
Quero uma festa para celebrar a vida!
Quero uma cerimônia repleta de amigos
E familiares.
Não quero ter pressa de dar adeus
Enquanto presente em corpo frio.

Não faço questão de flores e coroas.
Flores de funeral, murcham logo
E cheiram diferente do perfume
Das flores de eventos festivos.
Quero você presente
Como adorno e aroma de que preciso
Para celebrar os muitos dias de vida
Que vivi, intensamente.

Quando eu morrer,
Quero que você
Traga consigo suas lágrimas
Para derramá-las sobre mim.
As lágrimas são expressões
Lindas de nossos sentimentos
Mais profundos e significativos.
Não quero ver somente
Mulheres chorando.
Quero ver homens, também.
Homem também chora!
Têm sentimentos!
Portanto, chore lágrimas,
Mesmo que não rolem na face,
Que sejam apenas, lágrimas secas
Brotantes do impulso de soluços,
Do íntimo da alma,
Que só você sabe
O quanto significam.

Quando eu morrer,
Aproveite a oportunidade
Para rever e abraçar amigos
Que não os via há muito tempo!
Fique à vontade para abraçá-los
De seu jeito espalhafatoso e brincalhão.
Eu não vou pensar
Que é falta de respeito a mim,
Seu  morto querido.
Só não faço o mesmo porque não posso.
Iria causar um corre-corre tremendo
E matar muita gente do coração...
Com os amigos,
Recordem o que tínhamos em comum,
As nossas diferenças e semelhanças.
Faça desta festa de minha morte
Um evento alegre
De encontros e abraços saudosos
Que selem compromissos
De não esperar o próximo enterro
Do outro
Para se encontrarem novamente.

Quando eu morrer,
Quero que você venha
E traga no coração sementes de saudade.
Que coisa linda
O sentimento da lembrança do amigo...
A vontade forte de que ele não se vá...
Que fique; fique perto,
Bem perto para sempre!
Sua saudade trazida
É uma prova do quanto você
Me  amou profundamente.

Quando eu morrer,
Não se preocupe
Com a roupa que vai vestir.
Não precisa tirar do armário,
Aquelas vestes escuras,
Com cheiro de mofo ou  de sachê.
Venha no seu próprio estilo:
Com brilho, sem brilho ou multicor...
Não importa.
Lembre-se que sou tricolor!

Quando eu morrer,
Não precisa perder a noite toda
No velório.
Alguém vai ficar cuidando
Para o “morto” não sumir (rrss).
Descanse e, no máximo,
Sonhe comigo, sem ter pesadelos.
Mas, na hora da festa,
Não chegue atrasado,
Em cima da hora.
Venha mais cedo para me curtir
Na presença deste corpo
Que você não verá mais
(pelo menos aqui na terra).
Nem fique indeciso
Preocupado com as coisas que deixou
Sobre a mesa de trabalho,
Sem saber, se fica ou não fica,
Até o último momento
Do sepultamento.
Me acompanhe, andando passo a passo,
Até à sepultura.
E, se for de sua cultura,
Jogue suas últimas pétalas sobre mim.

Quando eu morrer,
Eu quero que você cante.
Uma festa só é festa
Se tiver muita música boa no ar
Que expresse o perfeito louvor.
Cante, porque faz bem:
Espanta os males,
Abre espaço no seu coração
Para o pouso da paz,
E faz caminho para o bálsamo da consolação...

Quando eu morrer,
Eu quero que o seu sorriso
Esteja presente na minha despedida.
Sorria, acompanhado
De um breve “até logo”.
Sim, porque você, também, está na fila.
Não pense que vai
Ficar, pra sempre, pra semente.
Mais cedo ou mais tarde,
Estará, aqui, no meu lugar.

Quando eu morrer,
Olhe para mim,
Mas não precisa dizer nada.
Eu sei que você vai me achar
O morto mais bonito que já viu,
Que estou sereno,
Dormindo como um pássaro,
Sonhando o sonho dos anjos...
É verdade:
Eu estou vivo, como nunca!
Sei que você se lembrará
Apenas de minhas virtudes,
Sepultará minhas falhas
Com o seu perdão,
Prova o quanto gosta de mim,
Apesar de mim mesmo.
  
Quando eu morrer,
Ao tocar o sino,
Anunciando que chegou a hora
De me sepultar,
Não brigue por chegar primeiro
Para carregar a alça de meu caixão.
Se não conseguir vencer,
Esta “briga de machão”,
Fique satisfeito, com a certeza,
De que me carregará para sempre
No berço de seu coração.

Quando eu morrer,
Despeça-se de mim,
Na certeza de nos encontrarmos um dia,
No mistério da ressurreição,
Pela graça de Deus
Que nos deu a dádiva da vida;
Pelo amor de Cristo,
Que morreu por nós,
Para celebrarmos, na morte,
A vitória da vida,
E vida eterna!

Quando eu morrer,
Se não puder vir,
Não fique com sentimento de culpa
E nem pense que volto, para dar o troco,
Puxando-lhe o pé.
Se não fizer nada disso que sugeri,
Basta que reserve um tempinho,
Onde estiver,
Para refletir sobre a vida,
Sobre as suas prioridades
E o quanto é importante
Cultivar amizades
E cuidar de você.

Quando eu morrer,
Eu gostaria que fosse assim!
Mas, não faça nada,
Simplesmente, por mim.
Faça, o que fizer, principalmente,
Bem a você!


PS.  Tudo que escrevi e disse,
Vale, também, se, mais tarde,

Decidir ser cremado.  

sábado, 28 de novembro de 2015

ÁGUAS AMARGAS DO RIO DOCE - Silvino Netto

(Silvino Netto, na crise moral do Brasil, 2015)

As lamas da barragem que se rompe,
Atingem o leito de minha alma
E me levam sem rumo rio abaixo...

Provo as águas amargas do Rio Doce,
E vou levado na enxurrada sem destino,
Submerso num mar de lamas, fétido, tóxico...
Vou impotente, sem forças,
Nas ondas lamacentas,
Tentando, enquanto vou,
Abraçar-me  às pedras da esperança,
Agarrar-me aos galhos da justiça,
Em trancos e barrancos me apego aos troncos,
Às raízes dos princípios  e valores,
Que encontro nos manguezais,
Para não deixar afogar a minha fé...
No agito das ondas de um rio feito amargo,
Encontro parceiros impotentes que se vão sem forças,
Animais que boiam e se afogam
Na correnteza sem fim,
De lama cor de  sangue carmesim...
Bebo as águas de Mara,
No gosto de fel do Rio Doce de Mariana,
Esta lama de corruptos
Que tornam amargas as águas de minha Pátria!
Quero unir-me às vozes proféticas, corajosas,
Para combater este mar de lamas de corrupção,
Lançar nas águas amargas o tronco
Com as raízes dos princípios éticos, divinos,
Para recuperar o Rio Doce,
Uma nova nação, transparente, cristalina!
Minha Pátria Brasil!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sabiá Laranjeira - Mário Celso Rodrigues


Ao meu amigo maestro  Paulo Tomchaca

Meu pássaro predileto...
Parece haver algo em comum
entre eu e o Sabiá, sempre nos demos muito bem...
Sabiá e eu ou eu e o Sabiá,
com detalhes não sei explicar, mas,
seu cantar no fim da tarde tem sempre uma finalidade...
Medito, escrevo; a noite vem e nem percebo.
No arrebol desponta o sol
e nos galhos das muitas árvores me saúda
o Sabiá Laranjeira em bemol... Sustenido...
No alegro percebo, temos algo em comum,
eu poeta, ele tenor...
Juntos e felizes louvamos o Grande Criador.