sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Uns querem as palavras - Gióia Jr.
Uns querem as palavras solenes,
outros vestem as frases com recursos ridículos,
outros não sabem o que dizem,
outros ainda são tragicamente irônicos...
Abandonei tudo,
andava em péssima companhia...
Amo, e o meu amor não vem com exércitos e bandeiras
e clarins e tambores e fumaça e gritaria...
O meu amor vem simples como as pombas,
simples como os Cantares de Salomão,
longe de mim todavia, os cedros do Líbano,
as torrentes de Cedrom, a sombra das Oliveiras
e os Jardins Suspensos da Babilônia...
A simplicidade é a mesma,
mas a paisagem é bem outra...
Embaixo de uma lua tropical,
de milhares de estrelas que não dizem nada
nem tampouco insinuam,
às vezes também sem estrelas e sem lua, pouco importa,
o nosso amor é simples e fala baixinho...
Acha graça daqueles que falam muito e não dizem nada,
ou dos outros que levantam a cabeça e caminham em passos de batalha,
ou dos outros que têm medo...
Tem pena dos que não se fazem compreender,
dos que não são felizes...
Na mesa tosca de madeira das nossas florestas
damos graças a Deus
e partimos humildemente o nosso pão de cada dia...
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
A DANÇA DOS CAMINHOS - Gióia Jr.
Há caminhos,
caminhos,
caminhos...
Estreitos e largos,
sinuosos, planos
pedregosos, íngremes,
cinzentos, vermelhos,
molhados e tórridos.
caminhos...
enlaçando montes
como braços loucos,
perfurando rochas
como veias negras.
Caminhos de ferro,
caminhos de asfalto,
caminhos de nuvens
e de muitas águas,
caminhos da vasta noite,
indevassáveis caminhos
sem bússola e estrela.
Caminhos das raças
percorrendo séculos
e se bifurcando
nas rotas mestiças,
caminhos do mar profundo
que o vento percorre
deixando pegadas
de revoltas ondas.
Caminhos,
caminhos,
caminhos...
das trevas e dos abismos,
das florestas e dos rios,
do pantanais e dos pélagos,
finos labirintos,
traços indecisos
que levam à terra
da palavra incerta.
Bailam os caminhos
suspensos nas pontes,
socado nos túneis,
perdido nas nuvens,
extinto no mar...
Serpentes nervosas,
bailam os caminhos
de todas as crenças,
de todos os povos,
numa estranha música
que se perde no ar.
Caminhos,
Caminhos,
todos vós, delgados
e largos caminhos
levais à tormenta
que não cessa nunca,
onde os astros morrem
na planície densa,
onde não há sonho,
nem verdade ou lume,
esperança ou crença.
Rota material de pedra e de cal,
estrada que ilude
feita de virtude,
de curvas e dobras
e de boas obras,
de treva e de abismo
e materialismo,
caminhos da sombra,
caminhos da noite,
caminhos do Nada!
Só há um Caminho
não há nenhum outro...
Só há um CAMINHO:
O Caminho é Cristo!
Homens, peregrinos
de todas as terras,
voltai dos abismos
da rota insegura,
vinde ao bom caminho,
ao caminho certo
Cristo vos ensina,
Cristo vos convida,
com muita bondade,
com muito carinho:
“Eu sou o Caminho,
a verdade e a Vida”
CRISTO – Eis o CAMINHO
A VERDADE
E A VIDA!
caminhos,
caminhos...
Estreitos e largos,
sinuosos, planos
pedregosos, íngremes,
cinzentos, vermelhos,
molhados e tórridos.
Há caminhos,
caminhos,caminhos...
enlaçando montes
como braços loucos,
perfurando rochas
como veias negras.
Caminhos de ferro,
caminhos de asfalto,
caminhos de nuvens
e de muitas águas,
caminhos da vasta noite,
indevassáveis caminhos
sem bússola e estrela.
Caminhos das raças
percorrendo séculos
e se bifurcando
nas rotas mestiças,
caminhos do mar profundo
que o vento percorre
deixando pegadas
de revoltas ondas.
Caminhos,
caminhos,
caminhos...
das trevas e dos abismos,
das florestas e dos rios,
do pantanais e dos pélagos,
finos labirintos,
traços indecisos
que levam à terra
da palavra incerta.
Bailam os caminhos
suspensos nas pontes,
socado nos túneis,
perdido nas nuvens,
extinto no mar...
Serpentes nervosas,
bailam os caminhos
de todas as crenças,
de todos os povos,
numa estranha música
que se perde no ar.
Caminhos,
Caminhos,
todos vós, delgados
e largos caminhos
levais à tormenta
que não cessa nunca,
onde os astros morrem
na planície densa,
onde não há sonho,
nem verdade ou lume,
esperança ou crença.
Rota material de pedra e de cal,
estrada que ilude
feita de virtude,
de curvas e dobras
e de boas obras,
de treva e de abismo
e materialismo,
caminhos da sombra,
caminhos da noite,
caminhos do Nada!
Só há um Caminho
não há nenhum outro...
Só há um CAMINHO:
O Caminho é Cristo!
Homens, peregrinos
de todas as terras,
voltai dos abismos
da rota insegura,
vinde ao bom caminho,
ao caminho certo
Cristo vos ensina,
Cristo vos convida,
com muita bondade,
com muito carinho:
“Eu sou o Caminho,
a verdade e a Vida”
CRISTO – Eis o CAMINHO
A VERDADE
E A VIDA!
sábado, 22 de dezembro de 2012
Grande Cantata de Natal - Gióia Jr.
mas o natal acontecimento,
o Natal exato,
realidade confortadora e simples,
o Natal sem sonhos.
Não o natal de Papai Noel,
de São Nicolau,do trenó sobre a neve,
do buraco da fechadura,
da chaminé delgada e escura,
do farnel de brinquedos...
Não! Esse, positivamente, não é o Natal,
Esse é um natal de mentira,
Inventado por alguém sem imaginação.
Não e não!
Postiço e falso é o natal dos brinquedos:
da árvore de bolas amarelas, verdes,
vermelhas, azuis, prateadas, douradas,
espelhando rostos alegres,
alongando e diminuindo feições sorridentes,
natal dos sapatinhos sob a cama,
dos olhos marotos do menino rico,
dos olhos parados do menino pobre.
Natal dos brinquedos:
a bola de futebol novinha cheirando a couro,
a boneca de porcelana
que fecha os olhos e tem vestidos ricos,
o aeromodelo, elegante e leve,
quebrando os copos da cristaleira,
os bibelôs do quarto,
aterrissando nas panelas da cozinha:
“Menino, vá para o quintal!”
Natal dos embrulhos que guardam mistérios,
embrulhos de sonhos, de risos, de vida,
natal dos olhos curiosos.
A árvore verde
tem loucas vertigens e visões fantásticas:
veste-se de algodão
e debruns e estrelas
e lâmpadas coloridas
que riem o risinho do pisca-pisca:
“apagou... acendeu... apagou... acendeu...”
Não! Esse, na verdade, não é o Natal!
... E o presepe animado
do trenzinho correndo nos trilhos sinuosos:
“entrou no túnel comprido,
saiu da ponte, desceu a serra;
um operário malha a bigorna
ritmadamente,
os animais movem as cabeças”
Não! Esse não é o Natal!
... E a mesa farta:
leitões assados com rodelas de limão
sobre o corpo tostadinho,
o peru recheado,
de peito aureolado em farofa cor de ouro,
os frangos,
as frutas, as passas,
as ameixas pretas,
as tâmaras morenas,
avelãs, nozes, castanhas...
bebidas, bebidas, bebidas
escorrendo, gotejando, geladas, loiras, espumantes.
Não! Esse é o natal-glutoneria!
Natal injusto é esse
que divide castas
e separa classes
e alegra os ricos
e esmaga os pobres...
Maldito seja o natal que os homens inventaram
para que a mãe pobre o celebrasse chorando,
resistindo aos apelos:
- Eu quero uma boneca!
E às perguntas:
- Papai Noel não vem?
E às queixas:
- Eu tenho fome! EU TENHO FOME!
Maldito seja o natal-privilégio dos ricos
que se mostram generosos
e distribuem migalhas aos pobres
para comprar , com esse gesto, um terreno no céu:
um belo terreno de esquina
com muitos metros quadrados
em avenida principal.
Já disse e repito:
Maldito seja esse falso natal,
esse mesquinho natal,
esse corrompido natal!
... E o natal-cumprimento:
telegramas urbanos,
parabéns, felicitações,
carta aérea, leve e curta,
bilhete escrito às pressas,
frase oca e vazia
bordada num cartão postal?
- Esse é o natal-hipocrisia
e está longe de ser o perfeito Natal!
Natal é muito mais:
É visão, esperança, certeza, humildade,
Pastores, madrugadas, estrebaria,
E José e Jesus e Maria
e bondade e alegria!
Cantarei o Natal!
“Dormem no campo os pastores,
Os que tangem rebanhos sonhando.
Dormi, pastores, que a noite é um lírio
Perfumado e eterno, branco e silencioso,
Dormi como justos,
como crianças travessas,
um sono leve e escuro, macio e indevassável,
deixai que a terra úmida
aconchegue vossos corpos.
Despertareis em sonhos,
despertos sonhareis a visão almejada.
Abrem-se os céus como sulcos oceânicos
e embriagadora música emoldura a paisagem,
despertam figuras,
são anjos de largas e leves e rosadas asas,
brancas e celestes asas de pássaros gigantescos.
Despertai, homens do povo!
Humildes pastores das campinas verdes, despertai!
Anjos inquietos, suaves e claros
cantam em coro
e que ouvidos humanos jamais ouvirão...
escutai, pastores!
e guardai o cântico!
Guardai-o para que não dilua,
guardai-o para que ainda o ouçamos
e dele falemos pelos séculos dos séculos. Amém.”
Glória a Deus nas alturas!
Glória a Deus nas alturas!
Repitam os campos e os astros e as sombras
e a noite, nas trevas que se movem vagarosas,
e a terra quente, laboriosa e humana:
Glória a Deus nas alturas!
E as muitas águas,
e as pedras escuras, lascadas, fendidas,
suspensas no abismo como gesto atrevido,
e as folhas verdes bailando e sorrindo
como dedos de criança,
e o capim cheiroso que as ovelhas comem,
e as sinuosas vertentes transparentes e ágeis,
repeti o coro que os anjos ensinam:
Glória a Deus nas alturas
e Paz na Terra aos homens de boa vontade!
Paz na Terra!
Apesar das bombas e dos acordos diplomáticos,
apesar do nevoeiro denso
que escondem navios compridos, cinzentos e armados,
apesar do ronco dos aviões a jato,
dos estampidos supersônicos,
dos campos de concentração
onde os velhos mordiscam a morte
e os moços já não existem,
apesar das bandeiras
das muitas bandeiras nervosas e bailarinas,
das inquietas bandeiras de asas mutiladas,
apesar da vingança e da conquista,
dos aleijados, dos órfãos, das viúvas,
apesar dos cadáveres sem túmulos,
expostos e pisados,
apesar da insânia,
das fronteiras,
do ódio velado, do profundo ódio
dos que foram derrubados mas não se perturbam,
apesar das experiências atômicas,
Paz na Terra!
Paz na Terra aos homens de boa vontade!
Eis o Natal, criaturas,
Vinde bebê-lo sem o auxílio de vasilhas e potes de barro
dos muitos países,
vinde bebê-lo com as mãos em concha,
com quem se salva!
Vem de longe os magos:
são silhuetas
que os raios da estrela,
que os fios dourados da estrela do Oriente
puxam, fazem andar, fazem parar, ensinam...,
Vêm de longe os magos
para a fonte da água...
Ouço vozes longínquas,
vozes ciclópicas, abafadas pela distância,
mas nítidas, definidas, exatas,
são vozes proféticas anunciando o tempo:
Isaías, Jeremias, Davi...
Essas vozes completam o Natal,
definem e traduzem o Natal perfeito
ouço vozes que cantam num coro harmonioso,
não há dissonâncias, nenhuma sequer.
O menino dorme
Embalado pela estrela,
José medita,
Maria sorri...
Sorri pelos olhos, pela boca, pelo corpo,
Acariciada por essa alegria repousante
que é ser mãe.
Os magos estão curvados
numa atitude obediente,
chegaram de muito longe
para viver o Natal!
Os pastores cantam, os pássaros deslizam,
não há nada morto,
tudo é vida abundante,
eis o Natal!
Cantarei o Natal!
Glória s Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens!
Ecoe meu cântico pelas cercanias indevassáveis,
Inunde os templos como vendaval impetuoso,
aqueça choupanas e famílias pobres,
alimente pobres,
acenda nos olhos do menino triste
o suave brilho da esperança presente,
alimente pobres com o pão macio,
branco e generoso, perfumado e quente.
Sacuda cidades o meu puro cântico
e destrua planos de vingança e ódio.
Proclame o saltério,
respondam as cordas, confirmem os arcos,
com maviosas vozes, doces, sussurrantes,
gritem as trombetas,
chorem as mulheres,
repitam os homens,
cantem as crianças...
O Natal é isto:
Um misto de luzes e vidas, um misto
de perdão e calma...
mas calma profunda que nos satisfaz.
O Natal de Cristo
É o cântico eterno da perfeita Paz...
da Paz- verdadeira, da Paz-humildade,
dessa Paz sincera proclamada aos homens
de boa vontade:
Paz na Terra aos homens
de boa boa vontade!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Maior Amor - Mário Celso Rodrigues
Meu coração salta de meus
domínios,
o ser por inteiro foge ao meu
controle.
Por completo um tremor me
toma.
Então desperto e percebo o
quanto sou amado,
amado por aquele que tudo
criou
e por me amar toma conta de
meus dias,
os dias que me permite viver.
E a cada dia uma vitória, uma
explosão
que me toma por completo, e
transforma
em prazer e alegria
contagiante
toda e qualquer agrura que o
mundo,
mal e egoísta tenta me impor.
A confirmação deste amor sem
igual,
esta num luar que encanta
meus olhos.
No trinar dos pássaros que me
despertam,
no sorrisso de minha amada.
no ouvir de um pequeno, na
vida iniciante,
a demonstração do carinho
inocente,
do ancião com tremula voz,
dizendo não haver herança de
mais
elevado valor que o amor.
Mas a demonstração maior,
não sendo eu merecedor,
foi o envio do próprio filho
para padecer, sofrer e ser
humilhado.
Não só por mim, mas a todos
quanto o aceitar, Aceitar aquele
que por amor em uma infame
cruz
seu sangue derramou.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Estrela do menino pobre - Gióia Jr.

Uma estrela pequenina,
cintilante de brocal,
anuncia, na vitrina:
hoje é noite de Natal.
O menino da favela,
sem camisa, pés no chão,
acha a estrela muito bela
e quer tê-la em sua mão.
Por amá-la e por querê-la,
fica tempo a meditar:
como é bela a mina estrela!
e, depois, põe-se a chorar.
Um milagre, enquanto chora,
Deus acaba de operar:
e o menino vai-se embora
c'o uma estrela em cada olhar!
Acalanto para o menino Jesus - Gióia Jr.
Dorme, criança repousa
ao beijo da brisa mansa,
a própria estrela não ousa
Teu soninho perturbar.
Descansa, agora descansa,
como a terra, como a lousa,
porque mais tarde, criança,
não podereis descansar.
As trevas são mornas vendas;
fecha os olhinhos, infante,
pouco importam oferendas
vindas de Terra Distante.
Apaga o olhar meigo e langue,
que amanhã, ao despertar,
terás lágrimas de sangue,
em vez de calmo sonhar...
Descansa os róseos pezinhos
- Aves de claras plumagens -
amanhã, quantos caminhos
esses pés hão de trilhar!
E depois, ao fim das viagens
com lanças, cravos e espinhos
hão de fazê-los sangrar...
Dorme, criança travessa,
a noite é macia e boa,
amanhã torpe coroa
ferirá Tua cabeça...
Rolarão pelos espaços
as longas horas, Jesus,
hão de crescer os Teus braços
sob a medida da cruz.
Sejam-Te os versos que escrevo,
neste momento de enlevo,
a paga do que Te devo
pelo que me dás do céu.
Dorme, Cristo Imaculado,
pois serás crucificado
e eu sou o maior culpado,
o mais desprezível réu!
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
NATAL -- Olavo Bilac
Jesus nasceu! Na abóbada infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
e toda a vida universal palpita
dentro daquela pobre estrebaria...
Não houve sedas, nem setins, nem rendas,
no berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram oferendas
para quem tinha de morrer na Cruz!
Sobre a palha, risonho e iluminado
pelo luar dos olhos de Maria,
vede o menino Deus que está cercado
dos animais da pobre estrebaria.
Não nasceu entre pompas reluzentes;
na humildade e paz deste lugar,
assim que abriu seus olhos inocentes,
foi para os pobres seu primeiro olhar!
No entanto, os reis da terra, pecadores,
seguindo a estrela que ao presepe os guia,
vem cobrir de perfumes e de flores
o chão daquela pobre estrebaria...
Sobem hinos de amor ao céu profundo,
homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha esta quem salva o mundo,
quem ama os fracos, quem perdoa o mal!
Natal!natal! em toda a natureza
há sorrisos e cantos nesse dia...
Salve, Deus da humildade e da pobreza.
Nascido numa pobre estrebaria!...
Olavo Bilac
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