sábado, 6 de setembro de 2014

CANÇÃO DO EXÍLIO - Antonio Gonçalves Dias



Minha terra tem palmeiras,
onde canta o sabiá.
As aves que aqui gorjeiam,
não gorjeiam como lá.

                             Nosso céu tem mais estrelas,
                             nossas várzeas tem mais flores,
                             nossos bosques tem mais vidas,
                             nossa vida mais amores. 

                                                                         Em cismar sozinho à noite.
                                                                         Mas prazer encontro eu lá,
                                                                         minha terra tem palmeiras
                                                                         onde canta o sabiá.
 
Minha terra tem primores,
que tais não encontro eu cá,
em cismar sozinho a noite,
Mas prazer encontro eu lá.

                                     Minha terra tem palmeiras,
                                     onde canta o sabiá.

                                                                          Não permita Deus que eu morra,
                                                                          sem que eu volte para lá.
                                                                          Sem que desfrute os primores,
                                                                          que não encontro por cá.

Sem que inda aviste as palmeiras,
onde canta o sabiá.  

A PÁTRIA - Olavo Bilac


 Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
 Criança! não verás nenhum país como este!
 Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
 A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
 É um seio de mãe a transbordar carinhos.
 Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
 Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
 Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
 Vê que grande extensão de matas, onde impera
 Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
 Boa terra! jamais negou a quem trabalha
 O pão que mata a fome, o teto que agasalha…
Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
 Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
 Criança! não verás país nenhum como este:
 Imita na grandeza a terra em que nasceste!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

DESCIDA DE CRISTO EM CAMPINA GRANDE - Mário Celso Rodrigues

Inspirada no poema de Gióia Jr. “Descida de Cristo em São Paulo”




Tendo resolvido
que deveria descer em Campina Grande ,
assim pensou e assim fez.
Não escolheu, no entanto,
o Parque do Povo ou o Açude Novo
que é onde se realizam os grandes comícios
e as grandes concentrações.
Não fez nenhuma propaganda no rádio, na televisão e nos jornais.
Não viu nenhuma necessidade em preparar a campanha de sua vinda
com frases de “suspense”:
“ele vem vindo, logo ele vem, aguardem a sua vinda”,
simplesmente dispensou todos esses artifícios.
Não quis cores vermelhas ou amarelas ou lilazes
nos disseminados cartazes de “out door”,
ficaria mal ao lado de anúncios “da Caranguejo e da Vogue”.
Nem mesmo volantes em papel-jornal amarelo e cor-de-rosa aceitou.
E resolveu que viria só,
nada de secretários e grupos de preparação
e equipes de propaganda
e pequenos coros de anjos de gravatas borboletas
e orquestras sanfônicas e bandas de forró.
Veio só.
Veio com seus próprios recursos,
 pela sua própria força,
sem se utilizar de luxuosos jatos executivos
ou de farfalhantes e nervosos helicópteros.
Não deu nenhuma volta espetaculosa no céu azul
e ensolarado da cidade, não aceitou chuva de pétalas de rosas
nem papéis picados doirados e prateados,
holofotes e desfiles.

Desceu anonimamente
no bairro do Jeremias
e foi conversar com os moradores
que comentavam as novelas e coisas do cotidiano
 à porta de casa, após o almoço,
(Será preciso esclarecer que Ele falava nordestinês
 sem sotaque aramaico?)
As donas de casa nem de leve o confundiram
com os camelôs da política, que fazem proselitismo
às vésperas das eleições,
nem com os que vêm para semear discórdia ou ódio.

Como os seus irmãos camponeses
dois mil anos atrás,
caíram de joelhos e ficaram maravilhados.
E reiniciaram, com aquele mesmo entusiasmo
do Cristianismo primitivo
o anúncio ao mundo do Evangelho sempre novo
como no passado.

Antes de ir ao Catolé, Mirante ou Alto Branco,
Cristo falou primeiro aos simples.
E como lembrança Campinense dessa visita de Jesus,
o povo que andava em trevas,
viu uma grande luz!!!

domingo, 1 de junho de 2014

A Paineira - Mário Celso Rodrigues

Não estavas na parábola de Jotão...
Eras uma paineira-Ceiba speciosa -
assim os da ciência te chamam, sem
valor para o vil metal... Não eras, do
Líbano, o cedro. Teus galhos, aos sabiás,
não ofereciam conforto tal os imponentes Jatobás.

Não importa como na beira da estrada tu foste nascer... Florescer!
Na densa floresta, ao lado das nobres ou dos humildes
arbustos... Mesmo adornada pela generosidade outonal,
não alcançarias reconhecimento... Triste seria teu fenecer.

Domingo ensolarado... Em alguns outros e, mais outros...
Tua sombra, na beira da estrada, revigora a certeza do porvir.
Servos... Filhos do mesmo que te criou, na proteção de suas copas,
a Deus louvores entoou... As boas novas ressoou...

Já não mais existes, o cruel progresso te derrubou...
Não respeitaram nem mesmo tua idade...
Paineira, pela providencia, na beira da estrada
grande foi teu valor, lá o Senhor te plantou.

Não mais sob as copas de frondosa árvore...
Mas em templo erguido, Deus tem sido louvado,
A salvação que só há em Cristo, proclamado...
No bairro, a cada dia, as portas do inferno aniquilado.  



Poema escrito em alusão a uma árvore (paineira), onde, debaixo de seus galhos se deu início a Primeira Igreja Batista do São João – Guarulhos.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Em meu lugar - Jilton Morais

















EM MEU LUGAR

Pesada cruz às costas,
esbofeteado, caído, ...
sem mais poder andar...

Chegando com a cruz ao Calvário,
sofrido, cansado, ensanguentado,
para assim morrer em meu lugar...
Pregado ao madeiro por mãos ímpias,
blasfemado, insultado, injuriado...
Ele assume o meu lugar.

Cravos a traspassar seu corpo,
braços estendidos,
mãos feridas, pés feridos,
Ele sofre pra me salvar...

Assim esteve no Calvário
Jesus, meu Senhor!
Perdão pediu pra os algozes,
salvou o malfeitor penitente,
silenciou os insultos,
fez do centurião um crente.

Quanta dor Ele sofreu,
até poder ao Pai falar:
“Consumado Está!”
Era o meio de eu me reconciliar
com Deus;
de o seu perdão obter...
Era a minha salvação,
sendo providenciada.

Quando penso no Calvário,
no Cristo que ali sofreu,
sou-lhe mais e mais agradecido
porque aquele lugar era meu.

 



Do livro: Ilustrações e poemas para diferentes ocasiões
De Jilton Morais

sexta-feira, 21 de março de 2014

Pão sobre as águas - Israel Belo de Azevedo


 "Lançar o meu pão sobre as águas ignotas
 para ser tomado pelo bico das gaivotas?
 Lançar o meu pão sobre as águas revoltas
 onde serão apenas minúsculas migalhas soltas?

 Lançar o meu pão sobre as águas imundas
 de onde baixarão para as trevas profundas?
 Lançar o meu pão sobre as águas imensas
 que o conduzirão para distâncias densas?

Nada sei sobre o destino das águas
 porque não sei como as ondas se formam
 como não sei onde os ventos se reformam
 como não sei o que as nuvens portam
 como não sei porque as trevas assim se comportam.

Sei que vou recolher o meu pão lançado
 mesmo que pelas gaivotas bicado,
 mesmo que pelas pedras esmigalhado,
 mesmo que pelo óleo manchado,
 mesmo que da viagem cansado,
 porque confio na Palavra plena de Deus
 que me manda meu pão sobre as águas lançar,
 eis que Seus projetos são melhores que os meus,
 pelo que Sua sabedoria quero tão somente alcançar".

segunda-feira, 3 de março de 2014

Cristo dos humildes - Gióia JR.

Cristo dos humildes,
        dos necessitados,
                dos desiludidos,
                        dos desamparados, 
                                das empregadinhas
                                e das lavadeiras,
                                        dos meninos órfãos
                                        e das mães solteiras -
O R A   P O R   N Ó S!

Cristo das angústias
        e das muitas penas,
                das viúvas pobres
                        e das Madalenas
Cristo que alimenta
        novas esperanças,
                Cristo que apresenta
                bem-aventuranças -
C H O R A   P O R    N Ó S!

Cristo que padece
        numa cruz maldita,
                Cristo que adormece
                        e que ressuscita,
                        Cristo que carrega
                        nossa dura carga
                                e que bebe o fel
                                numa esponja amarga -
M O R R E   P O R    N Ó S!

Cristo que foi visto
ressurreto e forte,
Bem-amado Cristo
que derrota a morte,
Cristo que proclama
num canto de glória:
"Onde está, ó morte
a tua vitória?" -
VIVE POR NÓS!

Cristo dos milagres
e das orações,
das curas divinas
e ressurreições,
e da Professia
que ressoa ainda,
prometendo o dia
Da segunda Vinda!
VOLTA  PRA NÓS!!!