quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Maior Amor - Mário Celso Rodrigues


 

       
Meu coração salta de meus domínios,
o ser por inteiro foge ao meu controle.
Por completo um tremor me toma.
Então desperto e percebo o quanto sou amado,
amado por aquele que tudo criou
e por me amar toma conta de meus dias,
os dias que me permite viver.
E a cada dia uma vitória, uma explosão
que me toma por completo, e transforma
em prazer e alegria contagiante
toda e qualquer agrura que o mundo,
mal e egoísta tenta me impor.
 
A confirmação deste amor sem igual,
esta num luar que encanta meus olhos.
No trinar dos pássaros que me despertam,
no sorrisso de minha amada.
no ouvir de um pequeno, na vida iniciante,
a demonstração do carinho inocente,
do ancião com tremula voz,
dizendo não haver herança de mais
elevado valor que o amor.
 
Mas a demonstração maior,
não sendo eu merecedor,
foi o envio do próprio filho
para padecer, sofrer e ser humilhado.
Não só por mim, mas a todos
quanto o aceitar,  Aceitar aquele
que por amor em uma infame cruz
seu sangue derramou.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Estrela do menino pobre - Gióia Jr.



Uma estrela pequenina,
cintilante de brocal,
anuncia, na vitrina:
hoje é noite de Natal.

        O menino da favela,
        sem camisa, pés no chão,
        acha a estrela muito bela
        e quer tê-la em sua mão.

             Por amá-la e por querê-la,
             fica tempo a meditar:
             como é bela a mina estrela!
             e, depois, põe-se a chorar.

                          Um milagre, enquanto chora,
                          Deus acaba de operar:
                          e o menino vai-se embora
                          c'o uma estrela em cada olhar!
                                

          

Acalanto para o menino Jesus - Gióia Jr.






Dorme, criança repousa
ao beijo da brisa mansa,
a própria estrela não ousa
Teu soninho perturbar.
Descansa, agora descansa,
como a terra, como a lousa,
porque mais tarde, criança,
não podereis descansar.


                                                        As trevas são mornas vendas;
                                                        fecha os olhinhos, infante,
                                                        pouco importam oferendas
                                                        vindas de Terra Distante.
                                                        Apaga o olhar meigo e langue,
                                                        que amanhã, ao despertar,
                                                        terás lágrimas de sangue,
                                                        em vez de calmo sonhar...

Descansa os róseos pezinhos
- Aves de claras plumagens -
amanhã, quantos caminhos
esses pés hão de trilhar!
E depois, ao fim das viagens
com lanças, cravos e espinhos
hão de fazê-los sangrar...

                                                      Dorme, criança travessa,
                                                      a noite é macia e boa,
                                                      amanhã torpe coroa
                                                      ferirá Tua cabeça...
                                                      Rolarão pelos espaços
                                                      as longas horas, Jesus,
                                                      hão de crescer os Teus braços
                                                      sob a medida da cruz.

Sejam-Te os versos que escrevo,
neste momento de enlevo,
a paga do que Te devo
pelo que me dás do céu.
Dorme, Cristo Imaculado,
pois serás crucificado
e eu sou o maior culpado,
o mais desprezível réu!   

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

NATAL -- Olavo Bilac


                                                               
Jesus nasceu! Na abóbada infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
e toda a vida universal palpita
dentro daquela pobre estrebaria...

                                        Não houve sedas, nem setins, nem rendas,
                                        no berço humilde em que nasceu Jesus...
                                        Mas os pobres trouxeram oferendas
                                        para quem tinha de morrer na Cruz!

Sobre a palha, risonho e iluminado
pelo luar dos olhos de Maria,
vede o menino Deus que está cercado
dos animais da pobre estrebaria.

                                       Não nasceu entre pompas reluzentes;
                                       na humildade e paz deste lugar,
                                       assim que abriu seus olhos inocentes,
                                       foi para os pobres seu primeiro olhar!

No entanto, os reis da terra, pecadores,
seguindo a estrela que ao presepe os guia,
vem cobrir de perfumes e de flores
o chão daquela pobre estrebaria...

                                       Sobem hinos de amor ao céu profundo,
                                       homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
                                       Sobre esta palha esta quem salva o mundo,
                                       quem ama os fracos, quem perdoa o mal!

Natal!natal! em toda a natureza
há sorrisos e cantos nesse dia...
Salve, Deus da humildade e da pobreza.
Nascido numa pobre estrebaria!...
                                                   
                                                                        Olavo Bilac

domingo, 2 de dezembro de 2012

Na Estação Própria - (Texto e poesia de Samuel de Souza)

"Bem aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor,e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem; e tudo quanto fizer prosperará. Não são assim os ímpios, mas são como a moinha que o vento espalha. Pelo que os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Porque o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá."  Salmo 1.


                                            
     O livro de Salmos, que era uma expressão de religiosidade do povo de Israel e de sua dependência de Deus, o Todo Poderoso, apresentado em lindos cânticos espirituais em que, não só serviam para o culto de adoraçãoa mas, também, indicador das bem-aventuranças divinas para quantos respeitassem a pessoa do Deus Criador e reconhecessem a Sua autoridade na efetivação de suas vidas, encaradas sob a  visão da justiça, razão porque, através dos Salmos, encontramos com muita clareza a mensagem messiânica.

     No Salmo primeiro, temos o caminho de vida para ser perlustrado pelos jovens, através do seu mais brilhante aconselhamento, dando aos filhos de Israel o ensino em que são estabelecidos os princípios básicos para que qualquer pessoa seja verdadeiramente bem-aventurada. A mensagem do Salmo primeiro não somente era importante para os jovens do seu tempo, mas para todos os jovens de qualquer tempo, incluindo, portanto, os jovens da atualidade porque a benignidade do Senhor também dura para sempre, conforme em tantos Salmos esta afirmação é cantada.

     Na presente meditação, vamos focalizar a expressão: "na estação própria", isto é, no momento oportuno para a tomada de todas as nossas decisões, porquanto, o Salmo assim se inicia:

                                                           ALEGRAI-VOS
                                                            NO SENHOR

                                          É bênção para os Crentes em Jesus
                                          Terem, na vida, múltiplas razões
                                          Para que estejam cheios de alegria,
                                          Por terem, de Deus,  puros corações.

                                          Na jornada que temos neste mundo,
                                          Nossa vida palpita de alegria
                                          Porque podemos refletir a luz
                                          Que refulgente temos cada dia.

                                          Com grande regozijo no Senhor,
                                          Sejamos vencedores neste mundo
                                          E Deus nos dê, do seu amor fecundo!

                                         Que o nosso coração não seja inflado
                                         Por apenas ilusões de gozo.
                                         Seja nosso louvor, a Deus, formoso! 


Samuel de Souza - Saudoso pastor da Igreja Batista do Ingá, Niterói - RJ e, filho de Manuel Avelino de Souza, autor de 29 Hinos do Cantor Cristão (Hinário das Igrejas Batistas).  
         

KAIRÓS - Mário Celso Rodrigues






Alegro, andante, moderato.

Um agudo – pouco mais suave.

Clave de sol, sustenido, colchéia.

Poesia,  incomparável harmonia.

Primeiro, segundo soprano,

nos faz sonhar o contralto..

Pássaro planando nas alturas,

águas cristalinas que deslizam no riacho,

sol que repousa no berço das montanhas,

lua que desponta no horizonte dos mares.

Como perfume das rosas,

 é o louvor que sobe aos ares.

No momento exato, tempo certo,

revivo e como pluma

subo aos céus

KAIRÓS

quando cantas,

como metamorfose, tempo certo,

 momento exato,

 transformas

 em celeste poesia, esquecidos dissabores.

Leva-nos também a cantar,

                                                      em doce e alegre harmonia,

ao nosso Deus louvores

HABACUQUE (Israel Belo de Azevedo)




                     

                     















 
 

 

Ainda que a vida hoje não floresça,

partida por perda que traz do abismo a beira,

roída na raiz pela dor da doença,

que prontidão atenta e absoluta requeira.

 

                  Ainda que entre os meus, a dissonância cresça,

                  minha alma se seque como estéril figueira.

                  Do que tenho apenas reste uma rala esteira,      

                  e meu próximo momento eu não conheça.

 

Eu orarei ao Pai para que me sustenha,

eu esperarei que seu sustento me venha,

até que Ele me sussurre suas respostas.

 

                  Porque sei que toda a minha angústia Ele sente,

                  porque sinto que comigo Ele está presente,

                  Eu agora me lanço sobre suas costas.