domingo, 2 de dezembro de 2012

Na Estação Própria - (Texto e poesia de Samuel de Souza)

"Bem aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor,e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem; e tudo quanto fizer prosperará. Não são assim os ímpios, mas são como a moinha que o vento espalha. Pelo que os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Porque o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá."  Salmo 1.


                                            
     O livro de Salmos, que era uma expressão de religiosidade do povo de Israel e de sua dependência de Deus, o Todo Poderoso, apresentado em lindos cânticos espirituais em que, não só serviam para o culto de adoraçãoa mas, também, indicador das bem-aventuranças divinas para quantos respeitassem a pessoa do Deus Criador e reconhecessem a Sua autoridade na efetivação de suas vidas, encaradas sob a  visão da justiça, razão porque, através dos Salmos, encontramos com muita clareza a mensagem messiânica.

     No Salmo primeiro, temos o caminho de vida para ser perlustrado pelos jovens, através do seu mais brilhante aconselhamento, dando aos filhos de Israel o ensino em que são estabelecidos os princípios básicos para que qualquer pessoa seja verdadeiramente bem-aventurada. A mensagem do Salmo primeiro não somente era importante para os jovens do seu tempo, mas para todos os jovens de qualquer tempo, incluindo, portanto, os jovens da atualidade porque a benignidade do Senhor também dura para sempre, conforme em tantos Salmos esta afirmação é cantada.

     Na presente meditação, vamos focalizar a expressão: "na estação própria", isto é, no momento oportuno para a tomada de todas as nossas decisões, porquanto, o Salmo assim se inicia:

                                                           ALEGRAI-VOS
                                                            NO SENHOR

                                          É bênção para os Crentes em Jesus
                                          Terem, na vida, múltiplas razões
                                          Para que estejam cheios de alegria,
                                          Por terem, de Deus,  puros corações.

                                          Na jornada que temos neste mundo,
                                          Nossa vida palpita de alegria
                                          Porque podemos refletir a luz
                                          Que refulgente temos cada dia.

                                          Com grande regozijo no Senhor,
                                          Sejamos vencedores neste mundo
                                          E Deus nos dê, do seu amor fecundo!

                                         Que o nosso coração não seja inflado
                                         Por apenas ilusões de gozo.
                                         Seja nosso louvor, a Deus, formoso! 


Samuel de Souza - Saudoso pastor da Igreja Batista do Ingá, Niterói - RJ e, filho de Manuel Avelino de Souza, autor de 29 Hinos do Cantor Cristão (Hinário das Igrejas Batistas).  
         

KAIRÓS - Mário Celso Rodrigues






Alegro, andante, moderato.

Um agudo – pouco mais suave.

Clave de sol, sustenido, colchéia.

Poesia,  incomparável harmonia.

Primeiro, segundo soprano,

nos faz sonhar o contralto..

Pássaro planando nas alturas,

águas cristalinas que deslizam no riacho,

sol que repousa no berço das montanhas,

lua que desponta no horizonte dos mares.

Como perfume das rosas,

 é o louvor que sobe aos ares.

No momento exato, tempo certo,

revivo e como pluma

subo aos céus

KAIRÓS

quando cantas,

como metamorfose, tempo certo,

 momento exato,

 transformas

 em celeste poesia, esquecidos dissabores.

Leva-nos também a cantar,

                                                      em doce e alegre harmonia,

ao nosso Deus louvores

HABACUQUE (Israel Belo de Azevedo)




                     

                     















 
 

 

Ainda que a vida hoje não floresça,

partida por perda que traz do abismo a beira,

roída na raiz pela dor da doença,

que prontidão atenta e absoluta requeira.

 

                  Ainda que entre os meus, a dissonância cresça,

                  minha alma se seque como estéril figueira.

                  Do que tenho apenas reste uma rala esteira,      

                  e meu próximo momento eu não conheça.

 

Eu orarei ao Pai para que me sustenha,

eu esperarei que seu sustento me venha,

até que Ele me sussurre suas respostas.

 

                  Porque sei que toda a minha angústia Ele sente,

                  porque sinto que comigo Ele está presente,

                  Eu agora me lanço sobre suas costas.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O DESPERTA NA ROÇA - Mário Celso Rodrigues

Com os zóio inda turvo esticano gostoso os osso; madrugada inda iscura. No poleiro o garnisé cantando, disputando com o carijó. As poedera se cumprimentando... Um cacarejá que só... Um poquim mais adiante, a Malhada sorta um mugido, no chiquero isfomiado reclama Chicó. Nos gáiu do abacatero a confusão dos pardá, e no pé de jatobá alegre canta o sabiá. Eta dispertar, qui festa! Num tem de que reclamá. Num pulo, sarto da cama. Mariete já num tava lá, muié isperta, foi o café aprontá. Por entre as fresta da janela, o vermeião do sol vi dispontá, dei um Glória a Deus, Aleluia! Que dia bom pra trabaiá! Nos passo ligero dum bom caipira, na cuzinha dipressa quis chegá. Marieta bunita num vistido de chita, leite e café, biscoito de nata, do mio verdi a pamonha e tinha também bolo de fubá, lá vinha os mininu acabano di acordá. Nos dois lado da mesa, os banco pra si sentá. “O Sinhô e meu pastô, nada mi fartará...”. O minino maió aprendeu a soletrá, bonito é Marieta cantando os hino que louva ao Sinhô e o pequenino repitino: “gólia, gólia, Salvadô” O missionário chama Zé Lino pra estudá, minha bela companhera tem a casa prá cuidá. Pequeno Tuninho vive pra traquiná. Coloco a inxada nas costa, o orvaio moiando a butina. A passo firme vô pra roça, tenho a famia pra sustentá! É duro o trabaio no campo, o mato que tenho de roçá. Aprontá a terra pra semiá, tem os animá pra cuidá... Mas Deus dá uma força danada. Fica leve o labutá, E no final do dia, a Deus quero louvá. O sol tá no arto, istômago roncano, deve de sê meio dia, pro rancho vô caminhano. No meio do caminho topei com Zé Lino, minino isperto, dicidido, qué sê pastô,veio falano. Ouvino suas historia no rancho cheguei sonhano. Tuninho também com o missionário iniciô a lê, prus minino da fazenda diz que doutô vai sê. O orvaio moiando a butina. A passo firme vô pra roça, Vô meus corim cantano, cantano o prazê qui sinto. É o coração do caipira, lavado pelo sangue de Cristo. E todo o dia renasce a felicidade, não minto! Os ano si passaro, Zé Lino é pastor, e na cidade grande, de Cristo anuncia o amor, e o missionário pro estrangero vortô. Aprendeu a lê Marieta e a outros ensina com dulçô. O traquina do Toninho, dotô Antônio se tornô. Com carinho trata us infermo, aliviando sua dô. E continua exartando: Glória, glória ao meu Senhor!

DUAS ROSAS - Castro Alves

São duas rosas unidas, São duas flores nascidas Talvez no mesmo arrebol. Vivendo no mesmo galho, Da mesma gota de orvalho, Do mesmo raio de sol. II Vivendo... bem como as penas Das duas asas pequenas De um passarinho no céu. Como um casal de rolinhas como a tribo de andorinhas Da tarde no frouxo véu. III Vivendo, bem como os prantos Que em parelhas descem tantos Das profundezas do olhar. Como o suspiro e o desgosto, Como as covinhas do rosto, Como as estrelas do mar. IV Vivendo... ai, quem pudera, Numa eterna primavera, Viver qual vive esta flor. Juntar as rosas da vida Na rama verde e florida, Na verde rama do amor

sábado, 3 de novembro de 2012

AO PEQUENO PASTOR (Mário Celso Rodrigues)

Porque tu és de estatura “franzina”, quando te empertigas e o semblante muda. As palavras que proferes - não são tuas... Os vigorosos gestos – que também não são teus. Me fazes pensar no pequeno Davi... Também pastor... Com ousadia enfrentando o gigante dos filisteus. Em meus cismares pergunto – Oh! franzino pregador das garras do leão e do potente urso, do vil tentador e das ciladas do mal, quantas foram as vezes que te livrou o Senhor? Como no passado, hoje te incomodaria... Capacete, fardamentos, escudo e espada; o peso não suportaria. Com garbo tomaste a Bíblia – o cajado. Os seixos – de Deus a palavra que flui e nos lança; servos e ungidos do Senhor, exterminando armadilhas, astutas ciladas. Continue intrépido... Valente e franzino pregador!

POESIA TEU NOME É MULHER (Mário Celso Rodrigues)

Poetizar a própria poesia, tarefa difícil para o mais excelente poeta. A criação, por si já é uma poesia escrita por Deus... Que era bom Ele já sabia! Quanta alegria aos nossos olhos as aves multicores e, aos nossos ouvidos, suas melodias! Mexe o nosso sentimento a sanguínea e quente rosa cortejada pelas borboletas. O sorriso de um bebê arrebata a inspiração do mais rude e também do poeta. Toda a criação por si, repito, foge ao domínio do pensador e também do que verseja... Todo o criador tem uma obra perfeita, tanto mais, tem Aquele que nos criou... ... Com seu poder infindo, Divina inspiração... Os olhos tristes da criatura primeira, motivo da certeza de uma solidão, comoveu o feitor de tão grande criação. Iniciando sua obra prima, a mais bela poesia que todo poeta almeja. Ser sublime, instintos nobres, harmoniosa beleza... Generosa em qualidades, divina orquestra e sinfonia em seu expressar... ... Poesia que ainda hoje Deus verseja. Obra prima em sua essência ... Poesia seu nome é mulher! Não importa se tens muito, pouca ou nenhuma cultura, és a poesia que embala a vida. És, mulher, resultado de orações respondidas... És rubras rosas que embelezam os jardins de nossas vidas! Que Deus as abençoe sempre, e a nós, sabedoria para que saibamos reconhecer que, não és somente uma poesia, mas também dádiva de Deus para nossos dias